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Somos a bandeira de Portugal na internet

Blog

Sandra Martins
Coordenadora de Inovação e Impacto Digital no .PT
07-10-2026
Outubro – O mês das competências digitais
Em 2022, Portugal assinalou pela primeira vez o Mês das Competências Digitais. Quatro anos depois, talvez seja legítimo perguntar: num mundo em que trabalhamos, aprendemos, comunicamos, compramos, acedemos a serviços e nos relacionamos através do digital, ainda faz sentido dedicar um mês às competências digitais? 

A resposta, talvez mais do que nunca, é sim. 

Habituámo-nos tão depressa à presença da tecnologia que é difícil imaginar hoje o nosso quotidiano sem ela. O digital atravessa praticamente todas as dimensões das nossas vidas e a inteligência artificial veio acelerar ainda mais esta transformação. 

Mas a velocidade da tecnologia não é a mesma velocidade das pessoas. 

Os dados mais recentes da Década Digital mostram-nos precisamente isso. Em Portugal, 59,15% das pessoas entre os 16 e os 74 anos têm, pelo menos, competências digitais básicas. Apesar dos progressos, continuamos longe da meta europeia de 80% para 2030. Ou seja, cerca de quatro em cada dez pessoas continuam sem as competências consideradas básicas para participar plenamente numa sociedade cada vez mais digital. 

E esta diferença importa. Importa quando procurar emprego, aceder a um serviço público, movimentar uma conta bancária, estudar, trabalhar ou simplesmente comunicar exige competências que nem todos possuem. A transformação digital abre oportunidades, mas pode também criar novas barreiras para quem não consegue acompanhá-la. 

A inteligência artificial torna este desafio ainda mais evidente. Em poucos anos, passámos de falar sobre IA como uma tecnologia do futuro para a utilizar no presente. Em Portugal, 38,7% das pessoas já utilizaram ferramentas de IA generativa, mas 35% apontam a falta de formação ou de competências como um dos principais obstáculos à sua utilização. 

Estamos, por isso, perante uma nova camada da desigualdade digital. Já não se trata apenas de ter acesso à Internet ou a um computador. Trata-se de saber utilizar a tecnologia, compreender os seus riscos, avaliar informação e, cada vez mais, saber utilizar a inteligência artificial de forma crítica, segura e consciente. 

Também na igualdade de género há ainda um longo caminho a percorrer. As mulheres representam apenas 22,3% dos especialistas em TIC em Portugal. 

Não podemos aceitar que as tecnologias que estão a desenhar o nosso futuro sejam pensadas, desenvolvidas e decididas sem a participação de metade da população. 

É por isso que continuar a investir nas competências digitais de todos e de todas não é apenas uma questão de qualificação. É uma questão de igualdade de oportunidades. 

Precisamos de capacitar quem ainda está afastado do digital, preparar crianças e jovens para uma utilização crítica e segura da tecnologia, apoiar a atualização de competências ao longo da vida, aproximar mais raparigas e mulheres das áreas TIC e STEM e garantir que a inteligência artificial não cria uma nova divisão entre quem sabe tirar partido das oportunidades que oferece e quem fica à margem. 

O Mês das Competências Digitais continua, em 2026, a fazer sentido. Talvez até mais do que quando começou. 

Porque a verdadeira transformação digital não se mede apenas pela tecnologia que conseguimos desenvolver ou adotar. Mede-se pela nossa capacidade de garantir que todos e todas têm as competências e as mesmas oportunidades para participar e ajudar a construir o futuro digital. 



Nota: os artigos deste blog não vinculam a opinião do .PT, mas sim do seu autor.
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